paraty_reflexo - Foto de Mario Merege Jr.

Eu finalmente resolvi postar aqui uma coisa que me marcou profundamente em uma visita à deliciosa Paraty, um ano atrás… “Senta, que lá vem a história”.

Era nosso segundo aniversário de casamento. O marido fez tudo perfeito! Fim de semana memorável em uma das cidades históricas mais lindinhas que conheço. Paraty está para mim como Tiradentes e Ouro Preto, mas tem algo a mais: o mar!

Ficamos hospedados na Pousada Pardieiro (http://www.pousadapardieiro.com.br/), que de mal acabada só tem o nome. É uma coisa linda de morrer! Parece uma vilazinha, cheia de plantas e caminhos. Os quartos são casinhas antigas e a decoração lembra o passado.

Tivemos uma tarde de sábado maravilhosa, um jantar especialíssimo no restaurante Banana da Terra (www.restaurantebananadaterra.com.br), considerado um dos melhores de lá e eu tenho que concordar. Tudo perfeito, até que…

No domingo, saímos para dar um passeio e procurar um restaurante legal para almoçarmos antes de voltar para o Rio. Fazia um calor desumano. Tudo o que a gente queria era entrar em um ambiente bonito, mas sem muitas frescuras, com música gostosa, ar condicionado, pedir uma bebida gelada e escolher uma comida bem boa. O que a gente queria era fica ali, no Porto Restaurante!

Pois o tão recomendado estabelecimento, cujo encarte tem mensão inclusive do The New York Times, não nos permitiu provar a sua elogiada culinária e que, agora, não faço a menor questão.

Não é que da rua enxergamos um lugar “fofinho”, mesas postas e bossa nova vindo lá de dentro? Espiamos mais um pouco. O movimento dos funcionários, as portas abertas, algumas mesas também postas do outro lado da rua… Tudo indicava que o restaurante estava aberto! Eu e o marido nos sentamos numa dessas mesinhas do lado de fora. Alguém nos viu pela porta, mas ninguém veio nos atender. Esperamos.

Passados alguns bons minutos, resolvemos entrar e escolher uma mesa á dentro, perto do ar condicionado e pedir o cardápio. Mais do que depressa, veio uma mulher, meio que empurrando a gente pra fora. As primeiras palavras dela foram: “Não estamos abertos ainda. Porque vocês não vão ali ao lado? Tem restaurantes mais em conta mais a frente, com uma comida caseira muito boa“.

Cruz credo! Aquilo fez meu sangue espumar! O marido respondeu, no susto, que nós QUERÍAMOS COMER ALI E NÃO ESTÁVAMOS PREOCUPADOS COM O PREÇO. A mulher insistiu e ele insistiu de volta. Até que eu falei que tudo bem, íamos embora dali o mais rápido possível, mas que já que o tal Porto Restaurante não estava aberto, eles deveriam fechas as portas, desligar o som e desfazer as mesas.

Saímos. E ficamos pensando mil motivos para a atitude imperdoável daquela ” senhora”. Será que estávamos mal vestidos? Não estávamos! Será que ela pensou que não tínhamos dinheiro para pagar a conta? Tínhamos! Será que ela achou que éramos muito jovens para frequentar a casa? Pois não éramos! Por acaso temos cara de malandros? Assaltantes? Não mesmo!!!!

Mas aí, saindo de lá, na mesma situação, encontramos outro bom, muito bom restaurante em Paraty, o Bartholomeu (www.bartholomeuparaty.com.br). Esse, sim, ainda não estava aberto. Mas um dos educadíssimos garçons nos convidou a entrar e tomar um drink geladinho para espantar o calor. Era tudo o que queríamos naquele momento!

E fomos, e rimos bastante, e comemos muito bem para, no final das contas, agradecer àquela mulher por ter nos mandado embora do Porto Restaurante.


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